Arquitetura de fragmentos


A arquitetura de fragmentos (patch geometry), no que se refere ao arranjo, posição, orientação, tamanho e forma dos fragmentos, pode afetar a existência e a persistência de organismos (Harper et al. 1993). O reconhecimento de que propriedades ecológicas de um sítio são influenciadas pela área circundante (efeito de borda) são o principal motivo para se estudar a forma dos fragmentos (formas mais complexas possuem mais áreas marginais do que formas mais simples: figura 1) (Hawrot & Niemi 1996).


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Figura 1. Representação esquemática da relação borda (azul)/área core (vermelho) de diferentes formas de fragmento.


Desde que Leopold (1933) propôs maior diversidade biológica na borda quando comparada ao interior dos fragmentos, diversos estudos têm sido conduzidos para provar ou contrariar essa hipótese. Entretanto, outros trabalhos têm demonstrado que nas bordas a herbivoria, predação e parasitismo seriam mais elevadas. Relações positivas, negativas ou neutras entre a forma de fragmentos e a riqueza e abundância em virtude do táxon continuam sendo investigadas (Gustafson, 1998; Mazerolle & Villard, 1999). A literatura tem adicionado novas explicações ao conhecido efeito forma/borda. Hamazaki (1996) observou que fragmentos mais longos tendem a encontrar uma variedade maior de microambientes na matriz, razão pela qual elevariam a diversidade de espécies encontradas. Para Collinge & Palmer (2002) fragmentos com alta relação perímetro/área (suscetíveis à mudanças espaciais e temporais) são mais facilmente localizados por organismos móveis e permitem maior emigração; já espécies sedentárias e de interior prefeririam fragmentos com área maior, pois o ambiente é mais estável e há menos invasão de organismos.

Os fragmentos podem ter uma infinidade de formas, sendo difícil quantificá-las. A relação perímetro/área é a métrica mais usada, mas a medição do tamanho da área core e o uso de métodos fractais (usando distância euclidiana) também são muito comuns. Os índices de forma, que comparam a forma do fragmento à uma forma padrão, também são amplamente aplicados em ecologia de paisagens.

Referências

  • Collinge, S.K. & Palmer, T.M. 2002. The influences of patch shape and bounbary contrast on insect response to fragmentation in California grasslands. Landscape Ecology. 17: 647-656.
  • Hamazaki, T. 1996. Effects of patch shape on the number of organisms. Landscape Ecology 11: 299–306.
  • Harper, S.J.; Bollinger, E.K. & Barrett, G.W. 1993. Effects of habitat patch shape on population dynamics of meadow voles (Microtus pennsylvanicus. Journal of Mammalogy 74(4):1045-1055.
  • Hawrot R.Y. & Niemi G.J. 1996. Effects of edge type and patch shape on avian communities in a mixed conifer-hardwood forest. The Auk 113: 586–598.
  • Leopold, A. 1933. Game management. Charles Scribner’s Sons, New York.

Sugestões de leitura:

  • Gustafson, E.J. 1998. Quantifying Landscape Spatial Pattern: What Is the State of the Art? Ecosystems 1: 143–156.
  • Mazerolle, M.J. & Villard, M-A. 1999. Patch characteristics and landscape context as predictors of presence and abundance: a review. Ecoscience 6(1): 117-124.

Texto elaborado por: Klécia Mass