Conectividade estrutural

A ecologia de paisagens hoje é vista como uma das escalas hierárquicas que compreendem os níveis de organização ecológica. Tem se fundamentado como área de interesse em pesquisas ecológicas por estar intrinsecamente relacionada a heterogeneidade espacial, que por sua vez é altamente dinâmica e composto por diferentes ecossistemas e diferentes comunidades biológicas.
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Escalas hierárquicas dentro de níveis de organização ecológica. (Odum & Barret, 2008).

A integração da ecologia de paisagens com outros ramos da ecologia gera bastante conhecimento principalmente inerente as mudanças no uso da terra causado pelo ser humano (Leitão & Ahern, 2002). Outra evidente e bem fundamentada linha de pesquisa dentro da ecologia de paisagens está voltada para conservação da biodiversidade e geralmente é formada pela relação entre atributos espaciais da paisagem e processo como migração, dispersão e extinção e comportamento.
Estruturalmente, uma paisagem é composta por três elementos: matriz, manchas e corredores.
è A matriz é formada por uma grande área com tipos de ecossistemas similares que causam grande influência sobre os outros dois elementos da paisagem.
è As manchas são áreas homogêneas, não lineares que se diferenciam da matriz a qual estão inseridas. Um exemplo são áreas remanescentes de florestas em uma matriz agrícola composta por espécies de gramíneas.
è Os corredores são áreas com faixa estreita de terra e difere da matriz em ambos os lados. Freqüentemente os corredores conectam manchas ou fragmentos dentro de uma paisagem.
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Exemplos de conectividade entre manchas de habitats (Bannet, 2003). a) Manutenção de pequenos mosaicos dentro da paisagem; b) Conectividade do tipo stepping stone; c) Corredores que fornecem conexões continuas entre fragmento e manchas de habitats favoráveis.
Atualmente a fragmentação de habitats e a formação de manchas principalmente por atividades antrópicas são bastante discutidas na biologia da conservação por afetar a riqueza e abundância de espécies e fatores como sucesso reprodutivo e sucesso de dispersão. Neste cenário, a conectividade, gerada por corredores, é elemento essencial na paisagem, pois pode restringir ou facilitar o fluxo biológico entre fragmentos e manchas (Bannet, 2003).

Dois tipos de conectividade são reconhecidos, a conectividade funcional e a conectividade estrutural. Esta última é descrita pela conectividade física entras fragmentos e manchas (Taylor & With, 2006).
A conectividade estrutural pode ser acessada por inúmeros índices espaciais também conhecidos como métricas espaciais. Essas métricas expressam numericamente o arranjo espacial de manchas, fragmentos e corredores, densidade e complexidade de corredores, permeabilidade da matriz, distância entre as manchas e fragmentos, grau de isolamento entre manchas e fragmentos.

è Acessando a conectividade estrutural

As métricas espaciais da paisagem atribuídas à conectividade estrutural são calculadas a partir da avaliação de mapas exportados para dentro de um . Especificamente, as métricas espaciais são calculadas em softwares embutidos dentro ou não de um SIG como FRAGSTAT e PACTH ANALYST, que são capazes de avaliar e quantificar padrões espaciais. Ainda é possível criar por meio de recurso de modelagem manchas e fragmentos e testar dentro desses modelos a representatividade da conectividade estrutural para o contexto de uma paisagem (Tischendorf et al., 2003).

è Aplicação e uso da conectividade estrutural

Embora apresente o lado ruim de não levar em consideração as respostas biológicas
de espécies dentro das paisagens (papel da conectividade funcional), as métricas espaciais atribuídas a conectividade estrutural têm auxiliado na compreensão das características relacionadas ao comportamento e estrutura das populações em interação com a dinâmica de paisagens. Neste sentido a grande maioria dos estudos em ecologia de paisagens utiliza métricas de conectividade estrutural. Exemplos de sua aplicação têm sido realizados em ecossistemas aquáticos para explicar padrões de invasão de uma espécie zooplanctônica de Cladocera, Daphnia lumhotzi, em reservatórios nos Estados Unidos. Este trabalho revela que a conectividade e suas propriedades podem facilitar o processo de dispersão desta espécie aumentando o seu potencial de invasão (Havel & Medley, 2006). Inúmeros estudos utilizando recursos da conectividade estrutural têm sido utilizados para explicar a dinâmica de populações. Bradley et al., (2010) observaram que a colonização pela tartaruga Chrysemys picta correlaciona-se com as métricas de conectividade entre áreas úmidas, tidas como manchas na paisagem. Ainda, outros estudos utilizam estas métricas, por exemplo, tamanhos de manchas e fragmentos e isolamento destes, para avaliar as relações entre a estrutura da paisagem e diversidade das comunidades bióticas inseridas dentro do contexto da paisagem (Metzger, 1997; Williams et al., 2003; Guadagnin & Maltchik, 2007).

è Lista de alguns software SIG

1. MapInfo
2. ArcGis
3. GEOMEDIA
4. GRASS
5. MapWindow
6. QuantoGis
7. SPRING
8. ISMART
9. TerraWiew

è Referências

BENNETT, A. F. 2003. Linkage in the landscape: The role of corridors and Connectivity in the Wildlife Conservation. IUCN, Gland, Switzerland and Cambridge, United Kingdom, 254p.

BRADLEY, J. C., SCHOOLEY, R. L. & PHILLIPS, C. A. 2010. Wetland hydrology, area, and isolation influence occupancy and spatial turnover of the painted turtle, Chrysemys picta. Landscape Ecology, 25: 1589-1600.

GUADAGNIN, D. L. & MALTCHIK, L. 2007. Habitat and landscape factors associated with neotropical waterbird occurrence and richness in wetland fragments. Biodiversity Conservation, 161: 1231-1244.

LEITÃO, A. B. & AHERN, J. 2002. Applyng landscape ecological concepts and metrics in sustainable landscape planning. Landscape and Urban Planning, 59: 65-93.

MEDINA-FERERO, G. & VIEIRA, M. V. 2007. Conectividade funcional e importância da interação organismo-Paisagem. Oecologia Brasiliensis, 11(4): 493-502.

METZEGER, J. P. 1997. Relationships between landscape structure and tree species
diversity in tropical forests of South-East Brazil. Landscape and Urban Planning, 37: 29-35.

ODUM, E. P. & BARRET. G. W. 2008. Fundamentos de Ecologia. Cengage Learning, São Paulo, 612p.

TAYLOR, P., FAHRIG L. & WITH, K. A. 2006. Landscape connectivity: A return to basics. Pp. 29-43 in: K. R. Crooks and M. Sanjayan (eds.). Connectivity Conservation. Cambridge University Press, Cambridge, United Kingdom.

TISCHENDORFI, L., BENDER, D. J. & FAHRIG, L. 2003. Evaluation of patch isolation metrics in mosaic landscapes for specialist vs. generalist dispersers. Landscape Ecology, 18: 41-50.

WILLIAMS, P., WHITFIELD, M., BIGGS, J., BRAY, S., FOX, G., NICOLET, P. & SEAR, D. 2003. Comparative biodiversity of rivers, streams, ditches and ponds in an agricultural landscape in Southern England. Biological Conservation, 115: 329-341.