Conectividade funcional


Definição

Parâmetros como o arranjo espacial de manchas de habitat em termos de grau de isolamento, formato e tamanho compõem o mosaico da paisagem e são definidos como conectividade estrutural. Porém, dependendo das características dos organismos, a complexidade das manchas que configuram o mosaico da paisagem pode facilitar ou dificultar a movimentação (dispersão) na paisagem, sendo este conhecido como conectividade funcional. Deste modo, a fragmentação dos ecossistemas, seja natural ou pela ação antrópica, pode ocasionar ou não em perda de conectividade funcional entre populações. Em casos de interrupção do fluxo gênico entre os indivíduos que compõem as manchas, a paisagem é caracterizada de como de baixa conectividade funcional e há conseqüências genéticas sérias para as populações isoladas. Porém, devemos ressaltar que cada espécie responde de forma distinta as características da paisagem, assim uma mesma paisagem com baixa conectividade funcional para a espécie “A” pode não o ser para a espécie “B”. Atualmente, a conectividade funcional apresenta grande aplicação para o manejo de paisagens fragmentadas e é fundamental a sua compreensão por parte dos tomadores de decisão no desenho de reservas naturais.

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Fig. 1. Representação esquemática da interação entre os processos biológicos e da paisagem para a conectividade funcional (adaptado de Baguette & Dyck 2007).


Contextualização


Inicialmente, a conectividade funcional foi definida como a capacidade da paisagem em facilitar ou impedir os fluxos biológicos (ver Taylor et al. 1993), fato que depende da proximidade ou percolação de habitat e da permeabilidade da matriz da paisagem. Estudos recentes modelam o comportamento e percurso dos organismos pela matriz em interação com processos biológicos e da paisagem gerando vetores de dispersão. Tal modelagem seleciona a melhor rota que o indivíduo (dispersante) deverá seguir baseado no menor custo energético para a sua dispersão (ver Baguette & Dyck 2007). Todas essas métricas podem facilmente ser estimadas por meio de sistemas de informação geográfica – SIG.

Exemplos e aplicações

Conservação: a conectividade funcional tem sido amplamente testada em modelos metapopulacionais, a fim de determinar padrões de dispersão, permeabilidade de diferentes tipos de matriz e área de vida das espécies. A maioria destes estudos foram conduzidos com Lepidopteras (borboletas) ( kanski et al. 2000).


Controle biológico: a capacidade de dispersão de agentes de controle entre os tipos de matriz também tem sido testado para o manejo de pragas. Estudos deste tipo têm sido comum nos Estados Unidos da América (EUA) e Canadá. Na última década, esforços têm sido empregados nestes países para encontrar besouros do gênero Aphthona (Chrysomelidade: Coleoptera) que apresentam alta conectividade funcional para o deslocamento em matriz aberta (pradarias) e controle da erva daninha exótica Euphorbia esula. (http://www.team.ars.usda.gov/cdgallery/posters.html).


Revisão bibliográfica

  • Baguette, B. & Dyck, H. V. 2007. Landscape connectivity and animal behavior: functional grain as a key determinant for dispersal. Landscape Ecology 22:1117:1129.

  • Hanski, I.; Alho, J. & Moilanen, A. 2000. Estimating the parameters of survival and migration of individuals in metapopulations. Ecology 81:239–251 Jonsen, I. D.; Bourchier, R. S. & Roland, J. 2001. The influence of matrix habitat on Aphthona flea beetle immigration to leafy spurge patches. Oecologia 127: 287-294. Taylor, P. D.; Fahrig, L.; Henein, K. & Merriam, G. 1993. Connectivity is a vital element of landscape structure. Oikos 68:571–573.


Créditos