Segundo Houaiss (2001), Escala é a “relação entre a configuração ou as dimensões de um desenho e o objeto por ele representado”, ou ainda a “ relação existente entre as dimensões representadas numa carta geológica e as dimensões reais de um terreno”. Estes dois conceitos são aplicados no contexto de representação de algo de grande extensão em uma forma menor. Mas também há no próprio Dicionário citado acima, o entendimento de “ em grande quantidade, de forma abundante, numerosa..”
Isso demonstra que existem algumas maneiras de conceituar Escala: uma é a usualmente utilizada pelos geógrafos e engenheiros cartógrafos, que pode ser definida como um valor adimensional que representa a relação entre duas grandezas lineares (Vieira, 2001). Em mapas, a Escala representa a relação entre a distância representada no mapa e seu respectivo valor sobre modelo usado para representar o mundo real. Por exemplo, uma Escala de 1:1.000.000 é menor que uma escala de 1:25.000, pois esta consegue representar com maior riqueza de detalhes o mundo ou uma região deste.
Aplicado às geotecnologias, a escala se refere as diferenças na granulometria das imagens de satélites, ou seja, na área mínima de identificada por cada sensor. Dependendo do tipo de análise que se pretende fazer e na extensão do fenônemo a ser estudado é que se define qual a melhor resolução espacial a ser utilizada.
Já para os Ecólogos, a Escala seria a representação de padrões e processos em mapas, e dessa maneira, a relação se inverte quando comparada com o entendimento cartográfico. Nesse contexto, o conceito de Escala é aplicado no sentido de magnitude, amplitude de um fenômeno. “A escala no espaço varia desde a área de atividade de um indivíduo, passando para a dispersão geográfica e ecológica de indivíduos dentro de populações, até a expansão e contração das abrangências geográficas das populações” (Ricklefs, 1993).
Quando se quer estudar um fenômeno natural, as duas conceituações podem ser aplicadas de maneiras complementares. Um pesquisador pretende estudar a migração de pássaros entre dois continentes, e também mapear as áreas utilizadas como habitats por esses pássaros em ambos. Para poder compreender a rota de migração, um fenômeno de larga escala pois envolvem continentes, o pesquisador precisará de um mapa cuja representação esteja em uma escala cartográfica pequena, já que deve representar grandes extensões de terra. Mas para identificar os locais onde esses pássaros passam a maior parte do tempo ele precisará de imagens de satélite cuja a resolução espacial, ou seja, o tamanho do pixel, seja de grande riqueza de detalhes, mas por consequência essa imagem não irá representar uma grande extensão de área.
Uma terceira via de interpretação do conceito de Escala é sua aplicação quanto ao tempo: a Escala Temporal, que nos traz a informação de duração e/ou freqüência de um fenômeno. Segundo Ricklefs (1993) na ecologia a escala temporal varia de acordo com as taxas de movimentos dos indivíduos e populações, com a dinâmica das interações populacionais, e com a substituição seletiva de genótipos dentro das populações, ou seja, a evolução.
Em estudos científicos a Escala é um fator determinante, pois irá influenciar tanto na extensão do fenômeno a ser estudado quanto no nível de detalhes das informações a serem levantadas e analisadas. Como a Ecologia de Paisagens é um ramo do conhecimento que lida diretamente com informações espaciais, a escolha da Escala e suas conceitualizações são fundamentais para o andamento da pesquisa. Fenômenos naturais que ocorrem em pequenas extensões espaciais demandam um maior nível de detalhamento para que possam ser melhores explicados. Por exemplo, para estudos focados em conectividade é preciso o uso de imagens com resolução espacial maior, consequentemente maior Escala cartográfica, pois identifica melhor os stepping stones. E a comparação entre as diferentes resoluções espaciais das imagens de satélites (Figura1) é fundamental para entender melhor a relação entre escala, estrutura espacial do fragmentos e conectividade (Perotto-Baldivieso et al, 2009). Figura 1 -Diferenças entre as resoluções espaciais de duas imagens de satélite: Spot 5 (5m) e Ikonos (1m), respectivamente.

Referencias Bibliográficas
- Houaiss, A. Dicionário Houaiss da Lingua Portuguesa. Instituto Antônio Houaiss, Rio de Janeiro, 2001;
- Perotto-Baldivieso, H.L., et al Spatial distribution, connectivity, and the influence of scale: habitat availability for endangered Mona Island rock iguana, in Biodiversity Conservation, 2009
- Ricklefs, R.E. A Economia da Natureza, Terceira Edição, Editora Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 1993
- Vieira, A,J.B. Textos Didáticos: conceitos importantes de Cartografia Digital. Curitiba, Paraná, 2001